RESENHA – BELEZA OCULTA (OU O CURIOSO CASO DO TRAILER SER MELHOR QUE O FILME)

Sabe quando um trailer te dá uma vontade enorme de ver o filme no mesmo minuto? Você assiste o trailer despretensiosamente e ‘boom’, você já se emociona, vira fã, como se o filme fosse aqueles três minutos e meio. Mas aí você assiste ao filme e não é (tanto) aquilo tudo que o trailer passou. Pois é, o presente de grego que vem nesse trailer pode matar o filme todo, mas calma, ainda dá para salvar.

“Beleza Oculta” é o tipo de filme que tinha tudo para ser ótimo, mas na verdade ele é bem (bem) confuso. Dá a sensação de seu primeiro ato ter sido dirigido por uma pessoa e o seu segundo ato ser feito por outro diretor que queria consertar todas as cagadas do começo do filme e eu não duvidaria se isso realmente acontecesse, já que o que o primeiro ato é uma desconstrução de tudo que o trailer passou. Ele é insensível, sem graça e desorganizado. Só que quando chega o segundo ato, tudo muda. O filme fica querendo se justificar por todos os erros e fica constantemente querendo falar o nome do filme (beleza oculta é isso, beleza oculta é aquilo, já falei beleza oculta?) mas por ser mais emotivo, ele funciona bem e dá para cair umas lágrimas.

Will Smith manda muito bem em filmes dramáticos, mas isso não é novidade alguma, né? Mesmo em filmes mais fracos, você sente que ele está dando o seu melhor e talvez a sua atuação seja a melhor coisa da divisão ruim do filme. Ele está extremamente contido e, pasmem, não se ouve a voz dele por pelo menos vinte minutos do filme, o que faz aumentar a angustia e a dor do seu personagem.

BELEZA OCULTA - IDIOTA CINEFILO

Os outros atores infelizmente não tem a mesma sorte. Parecem não levar a sério o próprio filme e tudo fica parecendo mais leve do que o Will está tentando construir. Apesar de tudo, Helen Mirren tenta se levantar e graças a um discurso ou outro, não comete o erro de cair no próprio clichê do personagem. Com Keira  Knightley acontece o mesmo. Em determinado momento do filme ela tem um discurso bonito e transforma o seu personagem Amy (ou amor) em uma peça importante para trama. Em compensação Kate Winslet, Edward Norton, Michael Peña e Jacob Latimore parecem estar totalmente perdidos em cada cena que tentam ser relevantes, principalmente no quesito protagonismo, hora Edward parece ser, hora Michael, mas ambos não possuem personagens bem construídos para isso ocorrer.

O filme tenta caçar lágrimas em boas cenas, quase como um coito interrompido, ele vai te empurrando ladeira abaixo no vale da lamentação, mas quando está quase lá, corta a cena para algo totalmente corta clima. Curiosamente, quando ele não tenta nada é quando consegue criar um vinculo afetivo entre o público e a história, principalmente no seu plot twist totalmente inesperado. Aí sim sem perceber, você desaba a chorar.

Com certeza não se trata de um filme péssimo, apenas decepcionante. Talvez se o trailer não tentasse vender tanto a história que não existe, não criaríamos tanta expectativa sobre. No fim das contas é mais um daqueles filmes de natal, passageiros, bonitinhos e vazios, mas que valem serem assistidos em casa.

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