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CORRIDA DO OSCAR 2017: MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR

Iniciando com uma frase polêmica: “Every nigger is a Star”, da música homônima de Boris Gardiner, “Moonlight” já mostra que não veio para ser mais um filme cult do Oscar, ele é muito mais que isso. Sua simplicidade pode passar uma imagem diferente, mas não se engane, sábios são os diretores que conseguem fazer mágica com filmes de baixo orçamento, como é o caso de Barry Jenkins (diretor de apenas UM filme além de Moonlight).

Dividido em três atos (infância, adolescência e vida adulta), a história conta a vida de Chiron, um menino que vive uma realidade difícil. A trama fala de temas como drogas,  tráfico, preconceito, homofobia e sobre como sobreviver nesse mundo. Tudo isso de uma forma sincera e longe dos estereótipos que o cinema adora inserir para evidenciar uma linha drámatica. Chiron consegue ver desde novo os dois lados do tráfico e como um lado consegue afetar o outro. Essa é um dos elementos mais tristes da trama, dói de verdade, porque você sabe que isso acontece na vida de muitas pessoas.

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Também é maravilhoso que o diretor não trata o público como alguém incapaz de compreender as situações por si só, então, ele não perde tempo explicando tudo que envolve cada cena. Ele inclusive não perde tempo nem com diálogos desnecessários, o que faz a trama ganhar agilidade e mais peso. Em alguns momentos você sabe o que os personagens estão pensando e sentindo, apenas pelo o olhar, toque ou movimento. Inclusive, sua cena final não seria tão marcante se tivesse sido feita de outra forma.

Outro ponto positivo é sua fotografia. A maneira como as luzes são inseridas em cada cena, torna os ambientes impactantes e ao mesmo tempo cria um clima de simplicidade e sinceridade. A trilha sonora é notável! É uma grande mescla de Mozart com Caetano Veloso, Aretha Franklin e Boris Gardiner e funciona. Ela consegue encaixar cada música no seu tempo certo e cada ação dos seus personagens com a trilha sonora.

Bonito não é um adjetivo à altura de “Moonlight”, já que ele representa a forma mais sincera de se fazer cinema (sim, a palavra sincera tem de ser repetida algumas vezes para isso ficar evidente). Não sei dizer se ele é o tipo de filme admirado apenas por amantes de cinema, mas creio que funcione para todos os públicos, desde que quem esteja assistindo não espere grandes cenas de movimentos e ações. Aqui tudo tem um ritmo lento e seus melhores momentos se devem as suas formas mais discretas e serenas.

MERECE O OSCAR?

Por mais que todos os filmes indicados tenham o seu brilho e sua importância, “Moonlight” merece levar o prêmio na categoria de melhor filme. Ele é a prova viva de que ainda é possível trazer inovação no mundo cinematográfico, falando dos mesmos assuntos de sempre, por uma perpectiva diferente. Por mais que eu ame Viola Davis, Naomi Haris tem uma atuação forte, de peso e merece muito o prêmio de melhor atriz coadjuvante. (MAS A GENTE TE AMA VIOLA).

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