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CORRIDA DO OSCAR 2017 – MANCHESTER À BEIRA-MAR

A tristeza pode render ótimos roteiros, principalmente se você colocar Casey Afleck no elenco, que é uma boa opção para um personagem que não demonstra emoção alguma. “Manchester à Beira-Mar” é um filme de construção, ele não é um daqueles roteiros fáceis de entender ou sentir, você não saca o filme de primeira e muitas vezes nem de segunda. É preciso mastigar muito e leva um tempo para digerir toda aquela história melodramática que pode até parecer exagerada (talvez seja).

Sabe aquela introdução que começa sempre dos contos de “Desventuras em Série”? Sobre ser uma história triste, terrível e que tem coisas mais alegres na TV para assistir? Pois é, aqui se encaixaria muito bem. Esse é um filme extremamente triste e isso fica bem claro pelas expressões dos atores, pela música e pelas cores das cenas. Mas se engana quem pensa que vai encontrar explosões de dramas, lágrimas e gritos de tristeza, isso não é bem o que temos em “Manchester à Beira-Mar”. O filme passa uma tristeza contida, dando a impressão que em qualquer momento as pessoas vão explodir, mas isso não acontece, afinal, a tristeza não vai embora porque choramos. O personagem de Casey Afleck está aqui para mostrar que superar as tristezas do passado não é nada fácil e muitas vezes não simplesmente não conseguimos superar.

O grande problema desse drama é a falta de ritmo, o filme se prende em cenas desnecessárias por minutos. Isso acontece até o telespectador se perguntar o porque de tantas cenas assim. Talvez a ideia seja aproximar a história do mundo real e isso acontece, mas acaba deixando o filme extremamente cansativo. Atenção! Não estou dizendo que o filme é chato, só cansativo. O mais complicado de entender é porque Casey Afleck é um dos preferidos do Oscar 2017, já que a impressão é que temos é que ele está agindo naturalmente. Talvez por ter um jeito paradão ele passe a sensação de ter tido uma grande atuação, mas desconfio muito.

O ponto alto do filme são as cenas de flashback muito bem colocadas como lembranças do personagem, elas ficam intercaladas com momentos em que o personagem recorda algum momento de sua vida. As cenas de pura tristeza também valem a pena, mas ao mesmo tempo, a trilha sonora totalmente dramática atrapalha um pouco. A música é tão melancólica que parece que o filme te diz: agora é hora de chorar, pode chorar logo, olha essa cena triste com essa música instrumental mais triste ainda.

Michele Williams aparece em cerca de vinte minutos no filme todo. Pode parecer estranho ela estar indicada por um tempo tão curto de atuação, mas uma de suas cenas é de cortar o coração. Parece que ela realmente viveu tudo aquilo e sua atuação me convenceu totalmente. Por fim, o filme é feito de altos e baixos, não é ruim, mas alguns elementos atrapalham bastante.

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MERECE O OSCAR?

Se fosse para o Idiota Cinéfilo escolher, “Manchester à Beira-Mar” não levaria por melhor filme ou por melhor ator para Casey Afleck. Seria interessante talvez na categoria de roteiro original, mas essa é a única categoria que levou “O Lagosta” a premiação, este que merece ganhar como roteiro original. O filme é bom, como eu disse, mas é mais um daqueles que daqui um tempo ninguém vai se lembrar direito.

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