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NA CORRIDA DO OSCAR 2017 – ATÉ O ÚLTIMO HOMEM

Um Oscar não é um Oscar sem um filme sobre escravidão ou guerra. “Até o Último Homem” cumpre muito bem esse papel, é um filme de guerra, mas não se limita a guerra. A trama é baseada em fatos reais e conta a história do médico do exército Desmond T. Doss (Andrew Garfield) que se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas. Durante a Batalha de Okinawa ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado. Não se trata de um filme de guerra, e sim de ética, crer em si próprio e (re) descobrir como o Mel Gibson manda bem como diretor.

Pode-se dizer que o filme é dividido em dois ator e, infelizmente, o pior vem antes. Isso pode desmotivar o público porque seus personagens são mal apresentados. Andrew Garfield parece ser o Andrew de sempre e isso não combina muito com o personagem em si, que, aliás, também parece ser um bobão qualquer que não tem noção do que realmente é a guerra. Já no segundo ato somos apresentados a um personagem mais forte, corajoso, que bate de frente com as suas convicções e convence.

Isso se deve a ótima direção de Mel Gibson, muito boa em planos de guerra, mas ainda muito frágil em momentos mais normais da trama. Mel sabe captar aquele olhar de uma guerra, ele transforma o mais do mesmo em algo mais lírico que combina muito com a visão que o personagem tem da guerra, construído (em seu segundo ato) um Desmond que tem tudo para ser um super herói, mas que não cai nesse lance piegas e se mantém humano, frágil, com medo, mas que não vai desistir de ser quem é. Isso, é uma visão e tanto do diretor.

Mesmo que em pouco tempo de cena, Mel também mostra o lado de quem perdeu a guerra. O que parecia algo divertido para os jovens soldados que, muitas vezes, se alistavam pela aventura, era uma desonra para o povo de Okinawa, que, ao contrário dos americanos, estava sentindo a invasão de estranhos em seu país.

O filme termina no tempo certo e não extrapola demais, mas ao mesmo tempo parece deixar aquele sentimento de vazio, justamente pelo seu inicio desgovernado. Outro problema são os efeitos estarem bem ruins, principalmente dos canhões que parecem terem sido feitos em programas de computador antiquados. Mas, ao contrário desses efeitos, os elementos mais práticos, como ambientação do cenário de guerra, são bem charmosos e condizem com a história contada.

Merece o Oscar?

Adoraria ver Mel Gibson ganhando como melhor diretor, acho que ele merece por inovar um gênero bem desgastado. Seria uma piada se Andrew ganhasse como melhor ator, já que ele não parece se esforçar em nada para melhorar seu personagem.

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