NA CORRIDA DO OSCAR 2017 – A QUALQUER CUSTO

Filmes de velho oeste, os famosos Western, já provaram que não são algo do passado e que ainda podem render uma trama bem interessante. Isso tem acontecido atualmente com os “westerns modernos”, que ao invés de usarem cavalos, usam carros velhos como meios de locomoção. Mas, para a nossa sorte, o velho xerife resmungão e os bandidos roubando bancos, ainda estão aqui.

Apesar de usar aquela receita pronta para um bom velho oeste, a mensagem principal do filme pode passar despercebida se o público não se interessar em entender o porquê tudo aquilo está acontecendo. Além disso, também existe uma discussão ética sobre quem é o verdadeiro vilão. São os homens desesperados em arrumar dinheiro para sustentar sua casa e honrarem seus familiares mortos que ficaram endividados por causa de instituições exploratórias ou os bancos junto ao sistema capitalista que explora o seu povo com regras e burocracias financeiras que fazem os mesmos cavarem as suas próprias covas. Inclusive, há um discurso que confirma tudo isso, os vilões reais da sociedade são piores do que os armados do filme.

Não se fazem mais filmes como esses e talvez por isso “A Qualquer Custo” foi um dos filmes menos falados na corrida do Oscar. Infelizmente, parece que o público e a crítica não sabem lidar com filmes como esse. Talvez se ele tivesse meia hora de cenas paradas em tons de azul sem contraste e com o Casey Afleck meio vesgo olhando pro nada, resultaria em uma chamada maior.

Brincadeiras a parte. O filme também se trata de um drama, não se engane pelo cinismo (excelente) de Jeff Bridges em fazer o mesmo papel que a gente ama: o velho xerife rancoroso com piadas grosseiras, mas que no fim das contas é só um cowboy abandonado. Ele dá um bom equilíbrio ao filme, principalmente, em algumas cenas onde parece ser mais canalha do que a dupla que rouba bancos. Já Ben Foster e Chris Pine só funcionam bem quando estão juntos. Separados, eles perdem a utilidade na trama.

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A narrativa, assim como o gênero, não é nada inovadora. Desde o começo do filme você já sabe o que vai acontecer, inclusive, os próprios personagens discutem o seu próprio “destino”. Mas não se trata de ser óbvio ou não. Se trata de falar do sistema, tentar resgatar o gênero, mostrar cenas de ação muito bem executadas e discutir ética. Talvez ninguém se lembre dessa história daqui uns anos (como a maioria dos filmes do Oscar), mas com certeza é um daqueles filmes que se eu esbarrar em algum canal de TV ou na Netflix, eu irei ver de novo com a certeza que irei me divertir.

Merece o Oscar?

Não é um dos filmes mais empolgantes dos últimos tempos, mas diverte e é bem executado. No que é indicado, o filme e os atores não se destacam perante os seus concorrentes, mas seria ótimo ver Jeff Bridges subindo para buscar a estatueta.

 

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