NA CORRIDA DO OSCAR 2017 – LION

Quando saiu a lista dos indicados ao Oscar 2017 fiquei um pouco confuso quando vi que Dev Patel havia sido indicado na categoria de atores coadjuvantes. Como ele poderia ser coadjuvante do próprio filme? Bom, foi depois que vi “Lion” que entendi que a academia não havia errado quanto a isso. Mas, errou em uma coisa: onde está a indicação de Sunny Pawar? O menino tem por volta de 7 ou 8 anos e dá um show de interpretação.

A trama se divide em dois atos. No primeiro acompanhamos o pequeno Saroo se perdendo de sua família e passando por momentos horríveis, que vão desde ficar dias sozinho em um trem vazio, até quase ser vendido em um mercado negro. É tenso, você sente a dor do personagem e o desespero que ele sente por ir a um lugar onde ninguém fala a sua língua, fora a insegurança por ser um menino de 5 anos perdido no mundo. Mas, 70% dessa dor vem graças a maravilhosa atuação do pequeno Sunny. Não é possível que aquele menino esteja atuando! A forma como ele se comunica e se desespera parece tão real que o seu coração já está apertado em 15 minutos de filme. É tão incrível que só o seu olhar consegue passar muito mais emoção do que muitos atores mais experientes que temos por ai. Quando o temos a passagem de tempo e Dev Patel assume o papel, você fica com raiva porque quer ver mais do menininho na telona.

No segundo ato o filme nos apresenta um Saroo mais velho e com uma atmosfera totalmente diferente de onde começou. Dev dá vida a um personagem mais comunicativo, sorridente, estudado e que não está mais sozinho . Porém, graças a uma ótima direção, o filme continua com as cenas sufocantes. A câmera sempre se aproxima quando mostra as consequências da vida roubada de Saroo, os planos são mais curtos e tudo fica mais constante para que o público consiga se por no lugar do personagem e sentir seu desespero.

Apesar de tudo, a narrativa do segundo ato é um pouco confusa, principalmente, por pular muito rápido de um tempo ao outro. Ele não constrói tão bem seus personagens e não se aprofunda em outras histórias, deixando tudo o que sabemos de importante resumido a Saroo. Mas isso não quer dizer que os atores não tenham tempo de se destacar. Dev está ótimo e consegue mais uma vez mostrar seu talento e Nicole Kidman surpreende em uma cena em que fala sobre adoção e mostra um lindo pensamento sobre o tema.

Quase no seu final, a trama consegue recuperar o seu peso dramático e então começa a choradeira. É impossível não se emocionar com a luta de Saroo para descobrir seus verdadeiros laços e quando ele interage com o irmão mais velho, Guddu. A forma como o filme mostra que alguns laços nunca são rompidos, mesmo diante de incertezas, é lindo. Mesmo longe do irmão há mais de 25 anos, Saroo sempre sentiu que ele estava ali, lhe apoiando.

O filme se encerra e você só consegue chorar, mostrando que, apesar dos contrapontos, o objetivo do roteiro foi atingido com um enorme sucesso.

Merece o Oscar?

Talvez o todo do filme não ficaria tão tocante se não fosse pelo jovem ator, a forma que ele constrói o personagem é única e é uma lástima não ver ele sendo indicado a melhor ator. Dev está ótimo na trama, assim como Nicole Kidman, mas não são os melhores indicados e devido aos problemas de narrativa que o filme apresenta, ele fica um pouco abaixo dos mais populares.

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