RESENHA – INTERNET: O FILME

Os Youtubers fazem um sucesso absurdo! Eles geram um público gigantesco e arrastam milhões de fãs onde vão e por isso são chamados para escrever livros, vender figurinhas, alimentos, objetos aleatórios e agora, atuar em filmes. Apesar de muitos pensarem o contrário, esse tipo de tática não é errada, o mercado precisa rodar e na atual situação do mundo, é um negócio muito fácil de se vender: eles fazem, os fãs compram. Mas isso não quer dizer que exista qualidade dentro desses produtos, como é o caso da brilhante ideia de juntar youtubers do momento em “Internet – O Filme”.

Desde que o filme começou a gerar comentários aleatórios pela internet, Rafinha Bastos (um dos roteiristas) garantiu que o filme seria uma revolução para o cinema nacional, já que ele iria ser importante na migração de conteúdo da internet para a grande tela. Apesar de nem o próprio se levar a sério, Rafinha foi um dos percussores desse negocio de internet. Ele começou lá longe, ainda na internet discada, com o Blog do Rafinha, então, apesar de tudo, ninguém melhor do que ele para falar sobre o assunto. Parece piada, das boas, mas assim como o filme, não é.

Por mais que fosse esperado um filme fraco e com péssimas piadas, eu não achava que seria tão ruim e isso é um problema grave. Esses produtores de conteúdo gravam vídeos incentivando e, de alguma forma, ensinando as pessoas como agir em sociedade, por isso muitos falam sobre preconceito, violência, política e apesar do preconceito que eles sofrem, isso é bem bacana, ajuda a moldar o caráter do seu público. Mas o filme parece esquecer um pouco disso e bagunça tudo o que muitos deles construíram, fazendo piadinhas infames, preconceituosas e muitas vezes beirando a gordofobia, homofobia e “legalizando” a babaquice.

Eu entendo que quando a ideia do filme foi criada, vinha com a intenção de mostrar um pouco desse mundo dos youtubers, que parece ser fácil, mas tem problemas escondidos. Eles poderiam falar sobre a realidade da exposição, a dificuldade de produzir conteúdo, o risco que tudo isso trás e, confesso, que se essa ideia fosse mantida eu iria ter comprado e me divertido. Mas, no geral, o que vemos é um roteiro totalmente perdido, que tem início, mas que não se desenvolve e muito menos chega a uma conclusão. Ao invés disso temos esquetes confusas e ruins.

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Poucas foram as vezes que eu conseguir dar uma risada sincera e por mais que eu tenha pensado que posso não ser exatamente o público alvo do filme, ao mesmo tempo eu acompanhei a maioria dos youtubers em tela, então de alguma forma, eu estou incluído nesse nicho. É lamentável que uma ideia que podia funcionar, que podia ser um “Todo Mundo em Pânico” do Youtube, pareça mais com o filme ruim do Porta dos Fundos.

De todos, apenas achei graça no ator Paulinho Serra que constrói um personagem cômico e trágico ao mesmo tempo. Curti algumas poucas ideias do próprio Rafinha, que se expõe indiretamente, e algumas piadas a respeito do Felipe Neto. De resto vemos péssimos momentos, péssimas atuações e um péssimo roteiro. Quer dizer, por causa da falta de construção do roteiro nem me sinto capaz de julgar os atores, mas consegui concluir que youtubers funcionam bem no Youtube.

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