LOGAN: A DESCONSTRUÇÃO DO HERÓI

Assim como na música que foi usada em seu trailer, “Hurt” do cantor Johnny Cash, Logan ainda se questiona o que ele se tornou. Nos quadrinhos, mesmo quando um herói morre, ele ressurge de forma mágica, assim como foi com o professor Xavier em X-Men 3. Mas na vida real, a verdade é dura e todas as consequências pesam. Sim, esse é um filme baseado em quadrinhos e ainda se fala de mutantes. Não, esse filme não é sobre super heróis, pelo contrário, é a desconstrução de um.

Lá no ano 2000 não imaginavamos como um filme sobre mutantes em um collant preto nos marcaria tanto, com tantas confusões em linhas temporais mais confusas ainda. É verdade que com o tempo, a imagem dos filmes do X-Men feita pela Fox se desgastou muito, hoje em dia quando um filme deles estreia, muitos não esperam nada ou esperam o pior. Ao mesmo tempo é curioso como aquele velho filme nos marcou tanto. Ele foi a infância de muitos e até o grito dos muitos meninos e meninas que se sentiam desamparados por se sentirem diferentes. Essa sempre será a grande mensagem dos X-Men, ser quem você realmente é, indepentende do que te digam e de quem tente te impedir. Talvez por isso nos aproximamos tantos daqueles heróis, principalmente daquele raivoso com garras.

São dezessete anos de X-Men no cinema, são dezessete anos de Wolverine crescendo e tendo o seu espaço nas telonas, muitas vezes sentiamos até raiva dos diretores quererem enfiar o anti herói em tudo que era lugar, como líder do grupo, em filmes solos fracos e até em pontas em filmes novos. Mas, a verdade é que isso não era só por causa dos homens atrás das câmeras, e sim porque Hugh realmente se apaixonou pelo personagem. Com o passar dos anos, ele estudou tanto o Wolverine até conseguir entrar em seu mais íntimo sentimento. Assim, nasceu Logan.

Logan não é um filme do X-Men, muito menos um filme de herói. Talvez muitos se desencantem por isso, mas para os verdadeiros fãs que acompanharam o herói nas telas por dezessete anos, é uma verdadeira despedida que nós sentimos na pele. Cada tiro ou machucado que Wolverine leva é como uma dor expurgada do seu corpo, dores que vinham diretamente das consequências de ser quem foi durante tantos anos. Consequências essas que muitas vezes me lembraram o filme “O Lutador”, mas se existe um gênero em que esse se baseia são os westerns.

A trama se aproveita muito bem da classificação indicativa, não só para expor a real violência que as garras podem causar, mas também para mostrar a dura vida de alguém como Logan. O filme também aproveita para construir mais camadas do personagem, mostrando que mesmo as cenas mais inusitadas estão ali por um motivo relacionado às dúvidas que ele carrega.

Hugh Jackman traz o que queríamos. Patrick Stewart também aproveita para se despedir da forma mais dramatica possível, afinal, ninguém quer ver o X-men mais poderoso da terra doente em uma cama. Mas é a Dafne Keen, a X-23 que surpreende e traz uma esperança, mesmo que nunca mais a encontremos. Ela tem apenas 11 anos e encanta por claramente já ter noção do peso de sua personagem. Ela se mostra confiante, forte e uma verdadeira fera, muito parecida com Hugh quando começou.

Se eu pudesse ter cinco minutos com Hugh, eu apenas o abraçaria e agradeceria pelos anos. Agradeceria também por entender seus fãs e saber que despedida eles queriam ver em tela. Logan é um filme cheio de simbolismo, pesado e preciso. É uma obra prima perto de qualquer filme de super-herói já criado, além de poder abrir portas para futuros filmes do gênero com a classificação indicativa +18. Sonhar com um Tony Stark encarando seu vício, não é mais tão impossível quanto parecia anos atrás.

Obrigado Hugh. Obrigado Logan.

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