RESENHA – FOME DE PODER (OU COMO NUNCA MAIS VOU COMER NO MCDONALD’S)

Você pode amar carne ou até ser o maior vegano do seu bairro, mas com certeza já comeu ou já pelo menos entrou em um McDonald’s, nem que tenha sido apenas pelo brinquedo. Você sabe como é o cheiro e as cores que envolvem o ambiente “Ronaldiano” e você sabe que tudo aquilo não está ali à toa. Então finalmente chegou o filme para responder quase todas as suas perguntas sobre o fast food mais famoso do mundo e não, não tem Rock do Ronald na trilha sonora.

Michael Keaton é o cara certo para viver um verdadeiro canalha ladrão de sanduíches. Por isso, mesmo que você desconheça a história ou nem tenha se preocupado em ler a sinopse, desde a sua primeira cena, entendemos que o restaurante não nasceu da forma mais honesta possível e ele faz um ótimo trabalho para dar o tom disso tudo sem deixar óbvio demais.  Ele vive o verdadeiro alucinado por trabalho, que quer descobrir algo no mundo e não vai desistir até encontrar aquele feeling que o faça sentar um banco de balanço e falar: eu venci. Isso deixa o personagem bem chato e cansativo sim, mas é proposital para mostrar que não estávamos falando de qualquer pessoa destemida, ele estava cego pelo poder.

Por a grande maioria do público estar muito conectado ao McDonalds, fica fácil contar uma história de origem sem querer trazer grandes surpresas, então, pode-se dizer que se trata de um filme “óbvio” e sem muitas novidades ou alto e baixos. Ele cumpre sua expectativa, mas isso não o torna chato ou parado demais, pelo contrário. É fascinante descobrir como o capitalismo é bem triste e ao mesmo tempo te traz tanta felicidade (principalmente se for acompanhado por dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e…), por isso o filme consegue fascinar por esses bastidores escancarados para o público, fazendo essa conexão deles com o fast food aumentar, como quando você descobre uma fofoca sobre algum conhecido.

A coisa mais divertida da trama vem com o modo que os flashbacks são inseridos para contar a origem da marca. Quase como um documentário, ele mostrar fotos  e momentos reais, sem perder a característica de um filme, isso te aproxima mais ainda do nome McDonalds, ele funciona mais ou menos como uma montanha russa, que te deixa super empolgado em saber como o primeiro restaurante estilo fast food surgiu, para depois descer com toda a velocidade e bater aquela bad pesada.

Sujo, irônico e beirando a tristeza de encarar como o mundo cruel funciona, “Fome de Poder” é uma trama que funciona pela sua simplicidade e, claro, por estar falando de uma marca tão grande quanto a Coca-Cola. Mas mesmo sendo interessante ver um Michael Keaton empolgado, o filme não é um daqueles que você vai ver de novo, até porque ele dá fome, né?

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