RESENHA – A CABANA

Baseado em um livro escrito em 2007 por William P. Young, A Cabana é mais um filme feito de forma desinteressante, apenas para chamar atenção do público fã da obra. A verdade é que a estrutura toda filme funciona de forma bem tendenciosa, rasa e muitas vezes beirando a hipocrisia, mas isso não faz o filme ser totalmente ruim.

Primeiramente, temos que analisar a raiz da história. Um pai se sente morto após perder sua filha e, ao se encontrar com Deus, ele aprende como perdoar as pessoas, mesmo que elas tenham feito escolhas ruins, a não ser juiz do mundo e acima de tudo, viver. Mesmo que você não acredite em Deus ou não tenha qualquer religião, temos que admitir que a história tem uma mensagem bonita. É sempre necessário aprender a perdoar e olhar ao redor sem julgar.

Mas, como todo filme que tenta falar sobre temas como esse, ele acaba entrando no clichê ao extremo. Vive se contradizendo (como quando Deus explica que não tem nenhuma religião específica, mas grande parte das cenas criam uma ambientação que te leva a uma determinada crença religiosa) e a cada cinco segundos entra a trilha sonora vindo diretamente do programa do Geraldo Luís, da Record, te falando: “olha aqui, se emociona, chora, vem cá, chora”. Mas as músicas são tão mal colocadas que volta e meia, ela entra em cenas que todo mundo está sorrindo.

Por mais que a história traga algo realmente triste, é difícil dizer que o filme cria algum tipo de empatia. A verdade é que você só se importa com a pobre menina que acaba sendo sequestrada. Também é difícil dizer que o roteiro tem algo que se salve, pelo contrário, os personagens são muito mal construídos, como é o caso de Sarayu, que volta e meia aparece (brilhando como um vampiro de Crepúsculo) apenas para estar lá, com falas fracas e sem contexto algum. A trama também conta com cenas extremamente desnecessárias, como Mack e Jesus correndo sobre a água para chegar em casa ou até as cenas finais (possível spoiler!!!!) onde Mack vai para a igreja como uma forma de simbolizar que ele mudou e que virou um homem cheio de amor, quando na verdade, essa é mais um daqueles momentos em que a história se contradiz, dando a entender que Mack (de terninho e sua esposa de cabelo preso) virou um homem de bem.

Uma direção ruim, atores fracos (tirando Octavia, que eu não sei o que está fazendo nesse filme) , personagens mais fracos ainda, um roteiro perdido e uma trilha super tendenciosa. Juntando tudo temos um filme que ficou parecendo uma mistura de Crepúsculo com algum daqueles filmes fracos que passam no canal Viva de madrugada (sem ofensas). Mas, que pode acabar conquistando algumas pessoas justamente por esses momentos que citei anteriormente.

joao-kleber-para-para-para

Mas calma! Tem algo para elogiar!

Existe um detalhe que o filme traz sem forçar nenhuma situação. Deus é representado de duas formas: uma mulher negra e um descendente de um indígena. Sinceramente, na atual situação que o mundo se encontra, isso faz muito sentido.

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