RESENHA: Elon não acredita na morte

O cinema nacional é rico em diversidade. Você consegue ver um filme de comédia pastelão, consegue ver um drama, consegue ver terror e isso é maravilhoso. Com o apoio de diversas instituições e leis que ajudam o cinema a crescer, ganhamos mais espaço para filmes que nunca seriam viáveis de se tornarem comerciais. Muitos tem um roteiro simples, mas dentro dele existe uma densidade e complexidade muito mais profunda e produtiva. Esse é o caso de “Elon Não Acredita na Morte” (Fetiche por títulos grandes e auto explicativos sempre – Cinéfilo, Idiota) um filme bem simples com uma sinopse mais simples ainda: uma personagem que sumiu, um personagem perdido dentro de si  e muita realidade.

Há quem diga que cinema bom é cinema que foge um pouco da nossa realidade, mostrando coisas fora do normal, particularmente falando, mostrar a realidade dura é um ponto fortíssimo do cinema nacional e isso é ótimo. Existe muita coisa a ser falada no dia a dia de um humano comum, principalmente se pegarmos o personagem de Elon, homem pobre e trabalhador que tem alguns problemas que consequentemente caíram sobre seu relacionamento com Madalena, que está sumida.

A principio, o filme quer falar do sumiço de Madalena, mas quando ele se desenvolve mais, notamos que ela fica em segundo plano e o maior problema é Elon, perdido dentro da sua própria mente. Isso fica totalmente exposto ao telespectador, que em mais da metade do filme não sabe se acredita nele ou não, já que ele toma várias atitudes erradas e todos a sua volta estão sempre o julgando pelo “o que ele fez com Madalena”. Como o filme nunca para pra explicar, propositalmente ou não, imaginamos diversas situações, das mais comuns até as mais absurdas (estupro, bebida, agressão, traição ou tudo isso junto) e automaticamente criamos uma falsa empatia por Madalena e aí o filme consegue acertar.

O maior problema aqui é que ele não serve para ser um longa metragem. Principalmente por ser uma produção mais independente, ele tem muita cara de curta e ficaria perfeito nesse molde, já que ele perde muito tempo com cenas desnecessárias, como Elon observando o ambiente a procura de Madalena, ambientes esses que não tem nada para nos contar e por isso fica desinteressante e cansativo olhar para o mesmo lugar sem mudança alguma. Podemos até separar o filme, que tem 77 minutos totais, em uma metade com cenas úteis e explicativas e a outra metade com cenas de ambientes, cansativas e desnecessárias.

Mas, por sua vez, o final é forte e ao mesmo tempo totalmente explicativo. Vejo que muito do sustento da trama se encontra ali na última cena. É como se ele ganhasse um fôlego final que salvasse todo o resto e tudo te faz pensar algo como: “aaah, agora faz todo sentido”. Trata-se de um filme que foge bastante do convencional, principalmente por não se decidir entre ser uma trama de drama ou de mistério. Tudo fica nas mãos do telespectador e se um filme consegue essa comunicação com o seu público, é realmente um filme que vale ser visto.

Ponto para o cinema independente nacional!

 

 

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