RESENHA – ALIEN: COVENANT

Em agosto de 1979 estreava um dos filmes mais fantásticos do mundo cinematográfico, ele era um terror espacial e muitas vezes te mostrava pouco do que estava ocorrendo para que sua mente pudesse imaginar e sentir o terror de uma forma muito mais psicológica. Por mais que os outros filmes que vieram na sequência não fossem tão bons, Alien sempre foi uma franquia respeitada. Porém, Ridley Scott me faz afirmar que “Alien: Covenant” é o pior filme da franquia.

Sim, pior que o quarto!

Mas calma, permita-me dizer que eu adorei Prometheus. Por mais que eu tenha noção dos seus “erros”, é sim um filme que me satisfaz. Mas desde lá já era obvio que Ridley queria mudar tudo e ao mesmo tempo deixar tudo igual. Para começar o primeiro filme do Alien nunca necessitou de nada além do seu terror quase que psicológico, aquele terror que explorava cenas escuras e poucas informações para a sua mente criar o resto. Mas aqui, o que temos é tudo muito explicadinho, cenas com aliens parecendo macacos e muito CGI preguiçoso. Os Aliens parecem ter sido feitos em 2001 quando os efeitos pareciam duros e davam muito contraste com o resto a sua volta. Poderia ter sido legal que os efeitos dos aliens fossem mais práticos, por exemplo, soaria menos falso e evitaria parecer um vídeo game.

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Existe uma forma de definir esse filme: preguiçoso, vazio e sem rumo. Mas podemos dividir isso em pequenos tópicos:

Primeiro, seus personagens são ruins, todo mundo naquela nave é incompetente para agir em momentos simples, como uma enfermeira executar o seu trabalho ou alguém atirar em um Alien sem escorregar no chão e errar a mira. Eles parecem ser tão burros e perdidos que eu não sei se no universo que a história se encontra existe algum tipo de prova para viajar em uma nave, mas parece que não. Alguns dos humanos ali até tentam soar mais interessantes, como é o caso de Christopher (Billy Crudu) que tenta louvar sua fé a todo o momento em meio a ocasiões negativas e descrentes. Porém, voltamos à preguiça que é esse roteiro e não explora nada do personagem, nem se quer alguma coisinha para criamos empatia com ele. Já Daniels (Katherine Waterson) soa como uma versão barata de Ripley, mas como protagonista, ela fica tão apagada que praticamente todas as suas cenas de sofrência (que, aliás, são péssimas) soam interessantes, são aquelas que os trailers já te alimentam há meses.

Porém, entre todas as personagens desinteressantes que caem no buraco do roteiro fraco, eis uma luz no fim do túnel, aliás, duas luzes no fim do túnel que se chama Michael Fassbender (que atorzão da porr@). Assim como em X-men: Apocalipse, Fassbender parece fazer mágica no filme e apresenta uma atuação excelente, sobrevivendo a cenas bizarras, discursos filosóficos fracos e um plot preguiçoso e óbvio. Ele com certeza foi a fundo no seu personagem, provavelmente por já ter vivido o mesmo em Prometheus. Ele tem um estudo de corpo que convence, tem um olhar bizarro e se você o acha um homão, tem uma cena que te enlouquecerá. Se o filme desse mais espaço para o personagem desenvolver suas excentricidades, com certeza ele seria tão assustador quanto o Alien de 1979, já que você não consegue enxergar muito bem quais são as suas intenções, hora você sente que ele está insano, hora você o vê como a maldade escarrada.

fss

Blade Runner e Alien foram filmes que mudaram a cabeça cinematográfica do idiota que lhes escreve e é tão duro para mim escrever isso quanto para vocês estão lendo, mas a sensação que passa é que Ridley pegou uma adoração tão grande por esse universo Alien que quer explorá-lo mais e mais, porém ele parece cansado, sem muitas idéias novas e se for para fazer (ou tentar) o mesmo tipo dos antigos filmes da franquia, só que de uma forma mais fraca e perdida, para que fazer?

É perceptível em seus 122 minutos a trama não tem muito o que mostrar, nem sabe onde quer chegar, apenas quer colocar outra tripulação que acorda do nada e vai investigar um chamado estranho vindo de um planeta estranho e quais são as consequências disso. Mas, por todos esses problemas, a ultima coisa que realmente parece ser perigosa é essa raça alienígena, sendo que uma enfermeira atrapalhada explode a própria nave, um capitão vai até a emboscada quando é MUITO óbvio que ele não deve ir e uma inteligência artificial que realmente soa perigosa, mas perde tempo abrindo mais e mais questões desnecessárias e não responde as coisas que realmente precisam serem respondidas (como o que realmente aconteceu e o que levou para acontecer aquilo com Elizabeth Shaw?).

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ELA EXPLODIU A PRÓPRIA NAVE, MEU DEUS
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No fim disso tudo, apesar de estar com os dois pés atrás, eu só vejo uma luz: obrigado por não estar dirigindo a sequência de Blade Runner, Ridley.

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