RESENHA – CORRA

Cara, isso é muito Black Mirror! Sim, pior que é. Um dos filmes mais falados dos últimos tempos, “Get Out” ou “Corra”, é uma daquelas tramas que chega como quem não quer nada, mas que no final vai deixar a sua cabeça girando e fazer com que você fique louco cada vez que escutar uma colher batendo em uma xícara. Mas, ao contrário do que muitos andam dizendo por aí, de terror ele não tem nada. Aqui vemos um filme estilo B de ficção científica.

A primeira vista, “Corra” parece ser mais um filme comum daqueles que a namorada vai apresentar o namorado para a família antiquada e isso pode render altas aventuras, mas conforme vai se falando de hipnose e funcionários que começam a olhar perturbadamente para o personagem principal, Chris, você começa a notar que alguma coisa errada vai acontecer, mas ainda sim, não faz idéia do que REALMENTE vai acontecer.

Conforme o filme vai se desenrolando, você sente a tensão crescer, mas não por ter cenas muito assustadoras ou momentos de suspense que estamos acostumados a ver. Através dos olhos do protagonista sentimos o racismo e, se você for branco (como eu) nunca tinha visto isso com tais olhos. Em diversas cenas, tudo que envolve o personagem é claramente racista, desde o olhar dos personagens até comentários “não racistas”, como: “Eu não sou racista, se eu pudesse votaria no Obama de novo”. É doloroso e sufocante ver como o personagem não pode nem olhar para o lado que já tem algum senhor usando um terno caro lhe julgando apenas por sua cor. E o pior é que isso não acontece apenas na ficção.

De uma hora para outra, Corra começa a entrar em uma via sem volta rumo a ficção ciêntifica, o que pode ser estranho a primeira vista quando o telespectador estava achando estar sendo levado para um caminho completamente diferente. O que não faz disso algo negativo, pelo contrário, quando toda essa parte de Sci Fi aparece, fica tudo tão tenso e claro na sua mente (Daqueles momentos que você pensa: como não percebi isso antes?) que mal dá para respirar.

Boa parte dessa tensão vem da boa atuação de Daniel Kaluuya, que interpreta o personagem principal. Não que o resto do elenco seja ruim, mas podemos dizer que o resto do elenco parece se encaixar em um filme B e ele não. Seu protagonismo é bem justificável em uma determinada cena que ele consegue ir do sério para lágrimas em questão de minutos, fazendo seus olhos ficarem vermelhos e deixar tudo mais convincente. O mesmo acontece com Catherine Keener, que infelizmente é má aproveitada no filme e realmente tinha potencial para ser a grande vilã da trama, mas acaba sendo um personagem orelha.

Mesmo com o filme entrando em outro gênero de uma hora para outra, ele não perde a sua veia critica sobre o racismo e no final das contas, por mais fantasioso que seja, você ainda tem a sensação de que conhece aquele tipo de família. Por causa desse “auto reconhecimento” dentro de uma ficção, o filme se mostra poderoso e fantástico, pois ele consegue passar uma mensagem válida e necessária nos dias de hoje, e ainda consegue “viajar” sobre um tema interessante.

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Válido falar que “Corra” é a prova de que o cinema não ficou sem idéias, na verdade é você (que reclama) que está procurando nos filmes errados.

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