Divinas Divas – Um filme divino de verdadeiras divas

Apenas um cinema da cidade de Santos se propôs a passar o filme Divinas Divas em, infelizmente, uma sessão chamada de espaço Vitrine. Entrei um pouco atrasado e me espantei, mas também fiquei feliz: quase todos os lugares ocupados, por sorte encontrei um. Só por estar quase cheio em apenas uma sessão, em um só cinema na cidade, já me fez ficar ansioso. O filme tinha chamado atenção e só pelo trailer já dava para captar as coisas boas que vinham por aí.

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Dentro daquela sala modesta, que cabiam em volta de cem pessoas, dava para ver que tinham várias gerações lá: desde as mais senhorinhas até os mais jovens. As luzes se apagaram e o filme começou. Meu foco estava total no filme, mas dava para ver sorrisos sinceros surgindo naquela escura sala e foi assim até o seu final.

O filme documentário foi dirigido pela talentosa Leandra Leal, mostrando que além de ser uma ótima atriz, também tem um verdadeiro dom para a direção. Ao invés de apenas trazer um documentário que andasse sozinho pelas próprias “personagens”, ela consegue se colocar na narrativa de forma muito viva e importante para conduzir a trama. Da maneira mais pessoal possível, ela coloca muito de si dentro das histórias das atrizes, cantoras e comediantes travestis, contando como o teatro Rival, teatro que é de sua família há anos e abrigou elas todas por anos, transformou a vida de Leandra e de todas elas.

A verdade é que aquele teatro se torna uma peça muito valiosa para a história, mas também se torna muito pequeno perto de todas elas. São muitas histórias comoventes, momentos engraçados e inspiradores, mostrando a força para aguentarem momentos tão duros, como a época da ditadura e a dureza de algumas famílias não aceitarem. Mas, mais uma vez muitas ali dão um show de força contando como bateram o pé e não desistiram do seu amor pela arte.

Uma das coisas mais interessantes é que em nenhum momento o doc se torna cansativo e não há altos e baixos. Pelo contrário, parece que tudo vai caminhando e crescendo, se tornando cada vez mais íntimo, mostrando que devemos nos manter alertas para a invisibilidade que muitas trans e travestis sofrem pelos preconceitos e até a falta de espaço que muitas encontram no mercado de trabalho, caindo para prostituição para sobreviver. Ainda mais que não há um espaço cultural que as abrigue como elas tiveram ali. Amaestria de Leandra saber o momento certo de mostrar todas elas juntas e depois contar separadamente a história de cada uma, traz uma grande proximidade e empatia do público com a obra.

Foram poucos os filmes que eu vi com um público tão atento e interagindo tanto. Principalmente em alguns momentos incríveis que os mesmos bateram palmas! Não sendo um ou dois, mas em três momentos o público vibrou ao ponto de bater incansáveis palmas, como se as divas estivessem ali, pertinho de todos nós. Por fim, as Divinas Divas são verdadeiras artistas e são pessoas tão maravilhosas que o coração de muitos saiu quentinho após aquela sessão.

Como no filme, também homenageamos a força de Marquesa que nos deixou algum tempo depois da gravação.

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