RESENHA: O confuso universo dos Defensores

Desde que as séries dos chamados heróis urbanos foram anunciadas, já sabíamos que iriam nos levar para a aguardada reunião dos quatro, formando o confuso nome Defensores. Confuso porque não existe muita base para eles serem chamados de Defensores, já que o grupo que leva esse nome nos quadrinhos era formado por heróis maiores, como Hulk, Doutor Estranho, Namor e algumas outras formações (apesar de recentemente terem mudado para essa formação, para que já se adequasse a realidade da série). Seria muito mais interessante e sincero que eles fossem chamados de Heróis de Aluguel (como eles realmente se nomeiam nos quadrinhos) ou qualquer viés do tipo, pois assim soaria mais próximo do que temos acompanhado nesses últimos anos.

Fazendo uma rápida analise do que foi cada série solo que antecedeu a finalização da fase um, das séries em parceria com a Netflix, pode se dizer que o que se iniciou grandioso, com a primeira temporada de Demolidor, deu uma perdida de fôlego significativa, encerrando com o péssimo Punho de Ferro e passando por momentos bons como Jessica Jones, Luke Cage (que apesar da morna recepção, acredito que seja o herói mais sincero e real da Marvel/Netflix) e a segunda temporada de Demolidor que teve momentos ótimos, mas no geral foi confusa e fraca. Esses altos e baixos só aumentaram a ansiedade do público pela reunião do grupo, por isso depois de tanto tempo, nós exigíamos ver algo que acertasse os problemas das outras séries e mantivesse todos os acontecimentos positivos, mas não foi bem assim.

Com um roteiro fraco e precário, “Os Defensores” parece ter sido escrito por roteiristas que não conheciam a história dos heróis da Marvel ou que não tiveram nem o trabalho de assistirem as outras séries. Tudo começa com bons episódios, principalmente por desenvolver muito bem a jornada de cada um ali, conseguindo amarrar a história delese não perder tempo em problemas desnecessários e cansativos. Um lado bom é que os atores (todos) estão mais evoluídos, dentro do personagem e muito a vontade com a história e o ambiente, o que é ótimo, já que até Finn Jones que foi um péssimo ator em Punho de Ferro consegue se salvar.

Sigourney Weaver, a vilã Alexandra, obviamente está impecável. É uma vilã muito bem construída e tem o peso dramático muito bem controlado, nos fazendo quase crer no que ela está querendo.  Ou quase, já que o roteiro é tão preguiçoso que mesmo depois do fim da série eu realmente não sei o que ela e o Tentáculo queriam.

Agora, no quesito edição, por muito tempo eu achei que estava vendo alguma novela nacional fraca, que por diversas vezes fazia aquele corte mostrando cenas da cidade que talvez nem Manoel Carlos fizesse para mostrar que a história se ambienta no Leblon. Nós acompanhamos por anos as séries dos heróis. Sabemos que fica em Nova York. Não precisamos que cada corte mostre um prédio, um metrô e diversos pedaços da cidade. Outra coisa preguiçosa foi o artifício de cores para mostrar que cada herói tinha a sua personalidade. Em uma cena que se dedicava a falar só do Luke Cage, era tudo preguiçosamente amarelo, quando era Jessica Jones era tudo azul, Demolidor era tudo vermelho, Punho de Ferro tudo verde. Isso era tão exageradamente usado que parecia uma série mal feita dos Power Rangers. Uma coisa é usar em uma cena ou outra, ou até quando os quatro se juntassem, mas em TODAS AS CENAS é estupidamente desnecessário, artificial e um erro que talvez nem um principiante na direção cometesse.

Mas, os problemas não ficam por aí. Apesar dos episódios não serem cansativos, até o quarto, dá a sensação de que nada acontece, havendo diversas desculpas fracas para eles se esbarrarem. Apesar de a série dar a entender que vai ser sobre o grupo, a individualidade dos personagens pesa muito e quase nunca dá para sentir o poder dos quatro juntos, semelhante a aquela magia de quando vimos em Os Vingadores ou quando Superman, Batman e Mulher Maravilha se juntaram pela primeira vez.

Aliás, a palavra individualidade pode ser facilmente trocada por chatice. Existem momentos que os personagens ficam tão chatos e reclamões, que passam a sensação de que eles estão forçando para serem descolados lobos solitários e não, não estou falando da Jessica Jones. O Demolidor fica tão rabugento e cabeça dura que cansa, que em determinado momento quando ele fala “Essa é a minha vida”, dá vontade de gritar com ele e dizer: “Então para de ser babaca!”. Outro ponto que faz os personagens ficarem cansativos é a falta de crença que eles tem em coisas místicas, principalmente quando o Punho de Ferro fala de um dragão e eles dão risada como se fosse algo absurdo. Pois bem, vocês estão no mesmo universoem que isso aconteceu:

 


Esse é um dos outros momentos que o roteiro se prova fraco e cansativo. Já que se eles vivem no mesmo universo que existe o Thor, Hulk, Homem-Aranha, Homem-Formiga, Visão e etc, qual é o problema com as coisas místicas que eles estão enfrentando?

É que apesar de tudo, as falhas de roteiro, a confusão, a falta de um objetivo e a presença dessa forte singularidade, a série acaba se tornando divertida pela forte empatia e presença dos atores. É uma série com diálogos bons (pontos para o dialogo entre Luke e Punho sobre poder e dinheiro) e também com as ótimas cenas de luta da personagem Elektra, ela realmente arrasa e se desenvolve tão bem durante a série que já corta meio caminho da futura temporada de Demolidor.

Por fim, Os Defensores desapontaram muito, chega a ser curioso como tudo que muitos criticaram nos filmes da DC, esteja tão presente por aqui: a escuridão, os personagens assombrados pelo passado, os dramas excessivos e os diversos furos. Porém, mesmo sendo extremamente fraco, acaba funcionando em partes, mas se torna tão esquecível quanto à maioria dos vilões dos filmes da empresa.

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