Resenha – Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe

Você acha que a sua família é a única a ser louca e ter muitos problemas? Se sim, você precisa assistir mais filmes, em especial “Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe”, novo filme da Netflix que foi aclamando em Cannes. Estrelado por Adam Sandler (), Ben Stiller, Dustin Hoffman e Elizabeth Marvel, o filme aborda temas reais sobre famílias e como não é fácil conviver entre si, fazendo a celebre frase: “Família não se escolhe” ser mais real do que nunca.

A obra parece ser uma mistura das esquisitices do diretor Wes Anderson (lembra até um pouco “Os Excêntricos Tenenbaums”, só que menos excêntricos) com a tragédia cotidiana de Woody Allen. Essa mistura gera bastante originalidade e mostra o cotidiano de uma família com problemas que você, eu e todo o resto do mundo com certeza já passou por algo semelhante, que vão desde o seu pai reclamando de alguma dor e dizendo que não é nada, até aquele encontro tenso de família. E sim, isso funciona tão bem que talvez seja a característica mais original e bonita do filme, é sincero e convincente.

Sim, é isso mesmo! Adam Sandler nos fazendo chorar e não subestime o ator ou a obra quando eu te digo que ele é a melhor coisa do filme. Ele é praticamente a “ponte” entre todos os personagens e ao mesmo tempo é ele quem segura a barra de tudo, mesmo parecendo que está prestes a explodir de tristeza ou de raiva (por isso ouvimos diversos gritinhos entre uma cena ou outra). Além dele, Ben Stiller tem uma cena muito densa e importante, que te levaàs lágrimas e Elizabeth Marvel é uma ótima surpresa, que apesar de não parecer muito presente no filme, mantém o tom mais cômico que é necessário para não cair em um dramalhão pesado. Apesar de esses atores estarem todos muito bem de forma individualizada, a dinâmica deles que no começo pode parecer problemática, se mostra excelente e totalmente crível.

Há uma beleza oculta escondida em cada cena que se compromete a mostrar a realidade do cotidiano, é como se em alguns momentos o filme quisesse falar: “Olha esse momento, como é simples, mas ao mesmo tempo equilibrado e bonito. É isso aqui a vida”. E sinceramente, é nisso que o filme tem mais brilho, em mostrar que por mais trágica que seja a vida, nós sempre podemos mudá-la.

Parece clichê e até deve ser, mas felizmente o filme não passa aquela sensação de “já vi isso antes”, graças a uma montagem e edição bem fora do tradicional, com cortes mais rápidos que interrompem frases de forma proposital. Sem contar os “cartões” que servem para contextualizar o momento que os personagens estão vivendo e até apresentá-los, lembrando muito filmes mais caseiros e até peças de teatro.

Por fim, é um prazer enorme assistir Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe, principalmente se você busca um filme simples, emocionante, sincero e é o tipo de produção que a Netflix deveria centrar-se em produzir, ao invés de perder tempo com filmes tão fracos. Se você gostou desse filme ou ainda tem dúvidas se deve assistir, talvez você possa procurar outros filmes de Noah Baumbach e sentir como é o estilo dele, como: Enquanto Somos Jovens, Frances Ha, Um Amor a Cada Esquina e O Solteirão. Não é coincidência que ele lembre um pouco o estilo do diretor Wes Anderson, ele também ajudou a roteirizar dois filmes do diretor, são eles: O Fantástico Sr. Raposo e A vida Marinha com Steve Zissou, ambos incríveis.

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